terça-feira, 2 de julho de 2013

O JOIO E O TRIGO



O JOIO E O TRIGO
Queres, pois que vamos arrancá-lo? Ele, porém, lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele.(Mt. 13.28-29)
Estou preocupado comigo. Penso que estou vivendo uma crise aos cinquenta anos. Não vivo a euforia da juventude, que pensa que pode mudar tudo  de uma hora pra outra,mas ainda não falo: “no meu tempo”. Arranjei um nome para essa crise: “A crise do meio do caminho”. Essa crise me leva a fugir dos extremos em todas as áreas da vida.
Vejo o grito nas ruas de “fora todo mundo”, fora Constituição, fora todos os políticos, fora presidente de time, etc. O gigante realmente acordou, mas parece que está querendo tirar os atrasados dos seus séculos de sono e, infelizmente isso não vai acontecer da noite para o dia.
Entre os inúmeros gritos de fora tudo, observei o grito de dissolução do atual Congresso. A minha pergunta é  arrancaremos o joio com o trigo? Vamos perder os avanços democráticos conseguido com sangue e suor, inclusive o meu? Penso que não. Gostaria de ilustrar meu pensamento com dois políticos. Um que não é do nosso estado o  senador Pedro Simon, homem de muita coragem e determinação que manteve-se durante de todo esse tempo afastado de toda espécie de corrupção. Outro que por ser do estado não gostaria de citar o nome, tive a oportunidade de fazer sua segurança quando este foi ministro. Em determinado momento ele se dirigiu para mim e disse: Gostaria de dispensar os senhores, porque a partir de agora vou visitar minha base política e, não gostaria de usar a segurança da Policia Federal para isso. Fiquei arrepiado com a sinceridade daquele ministro. Houve uma época em que um reitor da UFBa  foi nomeado e os estudantes protestaram, e por conta disso eu e meus colegas fazíamos sua segurança sábado, domingos e feriados até para os seus passeios com amigos.
Colocar o joio e o trigo no mesmo saco e no mínimo injusto. Se não fosse esses homens não haveria hoje,nem  povo na rua, nem democracia. Precisamos nos preparar para a caminhada. Já é hora de pensarmos em  ideias concretas. O plebiscito já está sendo usado pelos políticos para nos enganar. .  No dizer do coronel Nascimento no filme Tropa de Elite: “O poder dá à mão para não perder o braço”.  Já viu que não tem ninguém contra as passeatas? Tem ações que nem precisam de plebiscito e que podemos exigir imediatamente: o fim do voto secreto no Congresso; fim das mordomias dos parlamentares. Políticos devem cortar cabelo, fazer unha e outras mordomias como todos os mortais; deve ter férias do seu trabalho de um mês; ter direito a passagem aérea  somente em serviço, não usou devolve; os deputados já passam de 500. Pra que isso? É mais difícil fiscalizar.  O numero de deputados e senadores e proporcional a população do estado, consequentemente  vai crescer mais ainda. O que precisamos mesmo e propor que político tenha direito a um mandato, podendo ser releito uma única vez. Oito anos é tempo suficiente para cada um dá ao país sua contribuição.  Tai uma forma de evitar que figuras nefastas como José Sarney, Renan Calheiros e outros se perpetuem no poder.  Nada muda se nada muda. Renovar é preciso, porém há riscos. Henry Commager disse: "A mudança não assegura necessariamente progresso, mas o progresso implacavelmente requer mudança”.
É momento requer bom senso. É preciso salvaguardar o trigo. Agora que o gigante acordou é hora de lavar o rosto e planejar o que quer  fazer durante o resto do dia.

                                             Pr. Ivan Luna é Bel em Historia pela UFBa, mestre em teologia pela 
                                            EST, pastor da Igreja Batista Central de Paripe e presidente do CECOP.                                                      

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