O JOIO E O TRIGO
Queres, pois que vamos arrancá-lo? Ele, porém, lhes disse: Não; para
que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele.(Mt. 13.28-29)
Estou preocupado comigo. Penso
que estou vivendo uma crise aos cinquenta anos. Não vivo a euforia da juventude,
que pensa que pode mudar tudo de uma
hora pra outra,mas ainda não falo: “no meu tempo”. Arranjei um nome para essa
crise: “A crise do meio do caminho”. Essa crise me leva a fugir dos extremos em
todas as áreas da vida.
Vejo o grito nas ruas de “fora
todo mundo”, fora Constituição, fora todos os políticos, fora presidente de
time, etc. O gigante realmente acordou, mas parece que está querendo tirar os atrasados
dos seus séculos de sono e, infelizmente isso não vai acontecer da noite para o
dia.
Entre os inúmeros gritos de fora
tudo, observei o grito de dissolução do atual Congresso. A minha pergunta
é arrancaremos o joio com o trigo? Vamos
perder os avanços democráticos conseguido com sangue e suor, inclusive o meu?
Penso que não. Gostaria de ilustrar meu pensamento com dois políticos. Um que
não é do nosso estado o senador Pedro
Simon, homem de muita coragem e determinação que manteve-se durante de todo
esse tempo afastado de toda espécie de corrupção. Outro que por ser do estado
não gostaria de citar o nome, tive a oportunidade de fazer sua segurança quando
este foi ministro. Em determinado momento ele se dirigiu para mim e disse: Gostaria
de dispensar os senhores, porque a partir de agora vou visitar minha base política
e, não gostaria de usar a segurança da Policia Federal para isso. Fiquei
arrepiado com a sinceridade daquele ministro. Houve uma época em que um reitor
da UFBa foi nomeado e os estudantes protestaram,
e por conta disso eu e meus colegas fazíamos sua segurança sábado, domingos e
feriados até para os seus passeios com amigos.
Colocar o joio e o trigo no mesmo
saco e no mínimo injusto. Se não fosse esses homens não haveria hoje,nem povo na rua, nem democracia. Precisamos nos
preparar para a caminhada. Já é hora de pensarmos em ideias concretas. O plebiscito já está sendo
usado pelos políticos para nos enganar. . No dizer do coronel Nascimento no filme Tropa
de Elite: “O poder dá à mão para não perder o braço”. Já viu que não tem ninguém contra as
passeatas? Tem ações que nem precisam de plebiscito e que podemos exigir
imediatamente: o fim do voto secreto no Congresso; fim das mordomias dos parlamentares.
Políticos devem cortar cabelo, fazer unha e outras mordomias como todos os
mortais; deve ter férias do seu trabalho de um mês; ter direito a passagem aérea
somente em serviço, não usou devolve; os
deputados já passam de 500. Pra que isso? É mais difícil fiscalizar. O numero de deputados e senadores e proporcional
a população do estado, consequentemente vai
crescer mais ainda. O que precisamos mesmo e propor que político tenha direito
a um mandato, podendo ser releito uma única vez. Oito anos é tempo suficiente
para cada um dá ao país sua contribuição. Tai uma forma de evitar que figuras nefastas
como José Sarney, Renan Calheiros e outros se perpetuem no poder. Nada muda se nada muda. Renovar é preciso,
porém há riscos. Henry Commager disse: "A mudança não assegura
necessariamente progresso, mas o progresso implacavelmente requer mudança”.
É momento requer bom senso. É
preciso salvaguardar o trigo. Agora que o gigante acordou é hora de lavar o
rosto e planejar o que quer fazer
durante o resto do dia.
Pr. Ivan Luna é Bel em Historia pela UFBa, mestre em teologia pela
EST, pastor da Igreja Batista Central de Paripe e presidente do CECOP.
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