quinta-feira, 14 de julho de 2011

OS “SÃOS” PRECISAM DE CUIDADO?
Pr. Ivan Luna*
“Ali ficava o poço de Jacó. Era mais ou menos meio dia quando Jesus cansado da viagem sentou-se perto do poço” (Jo. 4:6 - NTLH).

O título deste artigo tem o objetivo de gerar uma reflexão. Quem seriam os “sãos”? Referimo-nos a nós mesmos, pastores e líderes de igreja que desprendemos grande parte do nosso tempo e ministério no cuidado dos nossos irmãos. Pensamos e agimos como se não necessitássemos de cuidados como os outros “mortais”. As perguntas são: Não carecemos de cuidados? Somos realmente invulneráveis? O cotidiano responde não. Vez por outra, somos surpreendidos com internações por stress, esgotamento físico, etc. No campo espiritual nos esquecemos que “precisamente os homens e mulheres mais dedicados para a liderança espiritual que são também os mais vulneráveis à carnalidade intensa”  [1]. Quando nos indagam sobre folgas, férias e outros fatores ligados ao cuidado, respondemos quase sempre de forma musical: “vou não, quero não, posso não, o ministério não deixa não”.
Roseli Oliveira aborda um ponto importante entre os líderes religiosos: “os pastores são levados a uma cilada perigosa: procuram não se mostrar muito humanos para não correrem o risco de decepcionar os que deles esperam a perfeição”². Em outro momento, a mesma afirma: “trabalhar nossas próprias questões, como cuidadores, é fundamental. O cuidar-se é, num sentido amplo, uma vida com sentido. O cuidado de si mesmo envolve a parte orgânica, física, bem como a emocional e a espiritual. Inclui o descanso, o lazer, a qualidade do sono, a alimentação equilibrada, a atividade física”  [2]. Completamos com a necessidade de amigos, para espantar o estigma da solidão pastoral.
O texto bíblico de João 4:6 tem tudo a ver com o tema e exige algumas reflexões: teria Jesus pedido água só como pretexto para o início de um diálogo com a mulher samaritana? Tal interpretação é uma negação da humanidade de Cristo e do relato de João que diz “Cansado da viagem, sentou-se”.  Jesus, o nosso modelo de liderança, cansou-se, teve sede, fome, chorou e olhou os lírios do campo. Ele tinha tempo para visitar os amigos, Marta, Maria e Lázaro, tinha tempo para as crianças e espera isso dos seus líderes do século XXI.
Jesus primava pela saúde dos seus discípulos. Após voltar de uma missão evangelizadora, eles ouviram do mestre: “vinde repousar a parte, num lugar deserto...” (Mc. 6:31). O nosso mestre percebeu que os discípulos careciam de cuidado. O desprezo pelo cuidado pessoal, quer físico, quer espiritual, é a negação da nossa humanidade.  Hoje, Jesus continua precisando de obreiros bem resolvidos e saudáveis.

segunda-feira, 14 de março de 2011

JESUS: Ecologia e Qualidade de Vida.

JESUS: Ecologia e Qualidade de Vida.
“... Observem como crescem as flores do campo: elas não trabalham, nem fazem roupas para si mesmas. Mas eu afirmo a vocês que nem mesmo Salomão, sendo tão rico, usava roupas tão bonitas como essas flores.” (Mt. 6.28-29 NTLH)
Há lugares que nos convidam a estar na presença de Deus: Itararé, por exemplo, com suas trilhas em meio a Mata Atlântica e praias maravilhosas é um paraíso ecológico. Outro lugar semelhante em beleza natural é Mangue Seco, suas dunas e praias são de uma beleza sem par. Só mesmo o criador poderia construir cenários tão belos.
É tempo de se falar em ecologia e buscar uma compreensão maior do que Jesus quis dizer com “olhai os lírios do campo”. Jesus nos dá exemplos de como viver, apesar de seus inúmeros compromissos. A Bíblia relata que ELE era alguém que tinha tempo para olhar os lírios do campo (Mt. 6.28), visitar os amigos (Jo 12.1), tinha tempo para as crianças (Mt 19.13-15), tinha tempo para estar só, isto é, para ELE mesmo (Mt. 14.23).Jesus era alguém de bem com a vida.
A depressão e a ansiedade têm tomado conta da humanidade. Jesus faz uma relação direta entre olhar os lírios do campo e o porquê de estarmos ansiosos. O motivo pelo qual estamos ansiosos tem uma ligação profunda com o olhar para os lírios do campo. Não estamos vivendo, e sim sobrevivendo. Vivemos para trabalhar e não trabalhamos para viver. A compulsão pelo ter nos impele a trabalhar mais: Ter duas televisões, quando muitas vezes nem assistimos; celulares de ultima geração com dois e três chips e por aí afora. Já não temos tempo para viver e olhar as belezas da natureza. Observamos uma placa em tempos atrás em Lençóis/BA: “Favor não retirar pedaços das rochas da gruta”. Não nos contentamos em observar, mas em ter. Um programa de rádio analisou o comportamento dos brasileiros que vão a Paris visitar a Torre Eiffel. Muitos nem sobem ao alto da torre para observar. Acotovelam-se nas lojas de souvenires para comprar lembranças para si, amigos e parentes. É o mundo do ter em detrimento do mundo “olhai os lírios do campo”.
A razão porque não preservamos a natureza, é por não termos tempo para observá-la. Se tivéssemos este tempo, teríamos um cuidado para com ela. Desde criança quando achamos uma flor bela, somos instruídos a possuí-la. Inicia-se a neurose do ter em vez de contemplar. A convivência com os índios Kaiapós na Amazônia nos mostra uma lição do homem natural. Eles sobem em árvores carregadas de frutas, mas apanham somente o necessário para aquele dia, não retiram em excesso, nem colhem frutas verdes. Esses “primitivos” confiam na natureza e convivem harmoniosamente com ela, sem a preocupação com o dia de amanhã.
Como filhos de Deus, precisamos buscar uma vida além do templo. Tem-se buscado a presença de Deus somente dentro daquilo que chamamos de templo, sem o menor respeito pela obra criada pelo SER que adoramos. Não temos atentado para o cuidado com a natureza e com nós mesmos. Há uma necessidade imediata de que o homem encontre Deus em todas as esferas de sua vida. Buscar qualidade de vida é fundamental para felicidade. Encontre tempo para contemplar a obra da criação. “O céu anuncia a glória de Deus e nos mostra aquilo que as suas mãos fizeram.” (Sl.19.1) O contato com a natureza remete invariavelmente o homem ao criador de todas as coisas.
Pr. Ivan Luna é Mestre em Teologia e
Pastor da Igreja Batista Central de Paripe.