terça-feira, 2 de julho de 2013

CARTA A PRESIDENTA DILMA ROUSEFF



CARTA A PRESIDENTA DILMA ROUSEFF
Exma. Sra. Presidenta

Estava assistindo nesta manha com muita alegria, o noticiário sobre as manifestações ocorridas ontem, 17/06/2013(ressalto a data porque vai entrar para a historia) um noticiário na TV, que dizia que o governo federal ia fazer uma avaliação sobre o porquê das manifestações realizada em todo o país. Brasileiro sem filiação partidária como a maioria que estava nas ruas, e que torce pelo sucesso do seu governo, ou de qualquer outro que ocupe essa cadeira, gostaria de ajudar nessa reunião com essa carta, que tenho certeza que a senhora vai lê.

A senhora apresenta ter aproximadamente a minha idade e sei que nós não conseguiremos entender algumas coisas dessas manifestações, entre estas como é que um grupo de jovens conseguiu com esse tal de “facebox” levar tanta gente as ruas. Por isso resolvi partir de um principio que é do nosso tempo: O tamanho da manifestação é proporcional à motivação do povo. Logo não foi o aumento das passagens de transporte coletivo em São Paulo que levou mais de 200 mil brasileiros as ruas em todo o país. Na minha modesta opinião, penso que a passagem de ônibus foi  a gota que transbordou o reservatório das nossas paciências, com o que vem acontecendo no nosso pais. Gostaria de elencar algumas dessas causas começando pelas mais recentes:

Uma dessas gotas foi saber que o país já gastou com a Copa até agora R$ 27 bilhões dos quais cerca de 20 bilhões vêm dos cofres públicos. Que o estádio do Corinthians obteve R$ 820 milhões do governo federal e que o estádio Mané Garrincha custaria R$ 660 milhões e custaram mais de 1,2 bilhões de reais. Enquanto milhões de nossos irmãos brasileiros, morrem todos os dias na fila do SUS e os que não morrem, aguardam uma consulta por mais de 60 dias. Um hospital construído aqui em Salvador custou R$ 68 milhões. Com esse dinheiro se construiria muitos hospitais no país. A senhora quer outra comparação: o programa “Minha casa, Minha vida”, constrói uma casa por  R$ 40 mil, isso já com a comissão de todo mundo, porque com R$ 15 mil se constrói uma casa aqui no nordeste. Se o dinheiro fosse aplicado no programa, pense quantas habitações poderiam ter sido construídas no seu governo com essa grana?

Outra gota foi que a senhora levou uma  grande comitiva para posse do papa   em Roma, as custas dos nossos impostos, a maior parte como se sabe são companheiros da senhora, ateus, ou pelo menos até aquela época,que provavelmente nem beijaram a mão do papa, e quando a imprensa informou o custo só de hospedagem de R$ 325 mil da “romaria”o seu Gabinete da Presidencial”descaradamente informou que por medida de segurança, não seria informado mais o custo das suas viagens;
Outra gota é ver Renan Calheiros que renunciou pra não ser cassado, ter sido eleito pelos seus pares, o que mostra ser a maioria, farinha do mesmo saco, presidente do Senado e inclusive esse ano, presidente do país;
Outra é saber que nosso imposto de renda e descontado na fonte, enquanto  dos políticos federais não. Que colocamos nossos filhos em escolas e faculdades particulares, porque o ensino publico e precário e não recebemos o ressarcimento integral das anuidades. Enquanto isso, esse ano, não foi recolhido o imposto de renda sobre o 13 e 14 salários dos parlamentares, e estes descaradamente mais uma vez, vão a imprensa dizer que não sabiam.

Outra gota foi saber que a população carcerária cresce a cada dia nesse país, e não precisamos pesquisar pra saber que lá, só tem os três “Ps”preto,pobre e prostituta. Que os ladrões do mensalão, até agora não deram as caras para ocupar suas celas nesses conjuntos habitacionais. Não é a toa presidenta que o alvo das depredações foram as casas legislativas.

Poderia descrever mais um monte dessas gotas, mas quero te falar da ultima. A gota final presidenta foi 20 centavos da tarifa dos ônibus. Queria dizer que se a senhora e os políticos brasileiros, não encher o reservatório da nossa paciência com essas coisas, nos oferecer saúde, educação, alimentação,emprego e transporte digno, eu e 170 milhões de brasileiros aceitamos o sacrifício de pagar os 20 centavos a mais na passagem de transporte coletivo e prometemos acabar com as manifestações.

Em tempo: Desculpe não ter ido pessoalmente entregar essa carta a V. Exa. É que estou me preparando para ir às ruas com minha família na próxima manifestação.
                                                           Seu compatriota
                                                           Ivan Jorge S. Luna

O JOIO E O TRIGO



O JOIO E O TRIGO
Queres, pois que vamos arrancá-lo? Ele, porém, lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele.(Mt. 13.28-29)
Estou preocupado comigo. Penso que estou vivendo uma crise aos cinquenta anos. Não vivo a euforia da juventude, que pensa que pode mudar tudo  de uma hora pra outra,mas ainda não falo: “no meu tempo”. Arranjei um nome para essa crise: “A crise do meio do caminho”. Essa crise me leva a fugir dos extremos em todas as áreas da vida.
Vejo o grito nas ruas de “fora todo mundo”, fora Constituição, fora todos os políticos, fora presidente de time, etc. O gigante realmente acordou, mas parece que está querendo tirar os atrasados dos seus séculos de sono e, infelizmente isso não vai acontecer da noite para o dia.
Entre os inúmeros gritos de fora tudo, observei o grito de dissolução do atual Congresso. A minha pergunta é  arrancaremos o joio com o trigo? Vamos perder os avanços democráticos conseguido com sangue e suor, inclusive o meu? Penso que não. Gostaria de ilustrar meu pensamento com dois políticos. Um que não é do nosso estado o  senador Pedro Simon, homem de muita coragem e determinação que manteve-se durante de todo esse tempo afastado de toda espécie de corrupção. Outro que por ser do estado não gostaria de citar o nome, tive a oportunidade de fazer sua segurança quando este foi ministro. Em determinado momento ele se dirigiu para mim e disse: Gostaria de dispensar os senhores, porque a partir de agora vou visitar minha base política e, não gostaria de usar a segurança da Policia Federal para isso. Fiquei arrepiado com a sinceridade daquele ministro. Houve uma época em que um reitor da UFBa  foi nomeado e os estudantes protestaram, e por conta disso eu e meus colegas fazíamos sua segurança sábado, domingos e feriados até para os seus passeios com amigos.
Colocar o joio e o trigo no mesmo saco e no mínimo injusto. Se não fosse esses homens não haveria hoje,nem  povo na rua, nem democracia. Precisamos nos preparar para a caminhada. Já é hora de pensarmos em  ideias concretas. O plebiscito já está sendo usado pelos políticos para nos enganar. .  No dizer do coronel Nascimento no filme Tropa de Elite: “O poder dá à mão para não perder o braço”.  Já viu que não tem ninguém contra as passeatas? Tem ações que nem precisam de plebiscito e que podemos exigir imediatamente: o fim do voto secreto no Congresso; fim das mordomias dos parlamentares. Políticos devem cortar cabelo, fazer unha e outras mordomias como todos os mortais; deve ter férias do seu trabalho de um mês; ter direito a passagem aérea  somente em serviço, não usou devolve; os deputados já passam de 500. Pra que isso? É mais difícil fiscalizar.  O numero de deputados e senadores e proporcional a população do estado, consequentemente  vai crescer mais ainda. O que precisamos mesmo e propor que político tenha direito a um mandato, podendo ser releito uma única vez. Oito anos é tempo suficiente para cada um dá ao país sua contribuição.  Tai uma forma de evitar que figuras nefastas como José Sarney, Renan Calheiros e outros se perpetuem no poder.  Nada muda se nada muda. Renovar é preciso, porém há riscos. Henry Commager disse: "A mudança não assegura necessariamente progresso, mas o progresso implacavelmente requer mudança”.
É momento requer bom senso. É preciso salvaguardar o trigo. Agora que o gigante acordou é hora de lavar o rosto e planejar o que quer  fazer durante o resto do dia.

                                             Pr. Ivan Luna é Bel em Historia pela UFBa, mestre em teologia pela 
                                            EST, pastor da Igreja Batista Central de Paripe e presidente do CECOP.