“A RELIGIÃO É O OPIO DO POVO?”
“A religião pura e verdadeira para com Deus,
o Pai, é esta:visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações
e guardar-se da corrupção do mundo.” (Tg 1.27)
Onze de abril entrou para a história como um marco significativo na secular luta entre Ciência x Religião. Esperávamos um posicionamento dos lideres religiosos sobre a Anencefalia. Aguardamos o que não aconteceu. Somente a igreja católica posicionou-se sobre o assunto. É de se estranhar o silencio,notadamente entre os evangélicos, porque segundo o IBGE representam um pouco mais de 20 % da população brasileira. O que aconteceu então? O silencio é mais preocupante do que um posicionamento quaisquer que seja ele.
Preocupa-nos o crescimento de um evangelho sem posicionamento. A começar pelos programas religiosos de TV, que tem se limitado, salvo algumas exceções, aos testemunho de pessoas que se apresentam dizendo “dormi pobre e acordei rica”. Karl Marx não estava de todo errado ao afirmar que “a religião é o ópio do povo”. Lideres religiosos(quando falamos líder religioso é porque não sabemos mais como chamá-los,antigamente era padre e pastor, mas a nova nomenclatura implica em apóstolos,patriarcas, querubins,serafins,etc.)hoje, estão mais preocupados em se digladiarem na TV, por uma fatia de seguidores, do que realmente em seguir, praticar e defender os ensinamentos de Cristo. Hoje ser líder religioso bem sucedido é sinônimo de ter posses. São raros os grandes lideres midiáticos que não possuem um jatinho. Provavelmente devem ter uma justificativa para isso nas suas preleções aos fieis: “Se Deus está no céu, nada melhor do que um avião para se colocar mais perto DELE”. Em breve muitos destes estarão se candidatando a cargos no legislativo. Somos contrários a pastores e padres que abandonam o seu sacerdócio para entrar na política. Alias é paradoxal como alguém que é separado por Deus para cuidar do próximo, muda o rumo do chamado. A história tem demonstrado que uma parte considerável destes, volta e meia aparecem vampirando nas operações Sanguessuga e tantas outras da Policia Federal. Foram estes que Marx captou como distribuidores de ópio.
A outra faceta do Evangelho segue em desigualdade. Em desigualdade porque seus lideres são éticos. Não sabem pedir dinheiro, não conseguem “vender” o Evangelho em troca de promessas de riquezas terrenas a seus fieis. Consequentemente não tem como investir em programas de televisão que são caros. A bola de neve continua estes religiosos não interessam aos políticos que querem arvores que dê frutos, digo votos. São perseguidos pela fiscalização pública, que inexplicavelmente só os persegue, pois preferem viver sem padrinhos a dever favor e voto. São comparados com os seus outros colegas aproveitadores, sofrem chacotas. Estão via de regra do lado das minorias, dos marginalizados, dos oprimidos. São alguns como Jesus, pessoas que não tem sequer onde reclinar a cabeça.São homens, mulheres, padres, freiras, diáconos e pastores preocupados tão somente em agradar a Deus e servir o próximo. Comprometidos com o Evangelho de Jesus, caminham a passos curtos, sem jatinhos, na busca da pratica da Missão integral, ou seja, pregar um evangelho não somente de palavras mais de ações que venham minimizar o sofrimento dos necessitados. Enxergam o homem como sendo corpo, alma e espírito. Essa religião não é o ópio do povo.
O Deus supremo um dia pedirá conta de tudo que fizemos, de bom e de ruim.
Pr.Ivan Luna- É formado em Historia pela UFBa- Mestre em Teologia pela EST/RS - É policial Federal aposentado - Presidente do Centro Comunitário de Paripe e não possui jatinho.
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